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Trecho do livro: A conquista do Éden

Atualizado: 7 de Nov de 2019

(...) Esticando os passos no limite do desejo, correu toda a praia. O tempo era uma barreira entre os dois que ansiava por derrubar. Ultrapassando os limites do físico, não se permitiu descanso e venceu a encosta no ritmo constante. Precisava vê-la ao alcance dos olhos, ao toque das mãos e ao acalento do coração. Pulsando nessa vontade, seguiu a trilha da lagoa. Febril, temia cada passo mais próximo, diminuindo a velocidade. Não desejando se anunciar de imediato e tampouco assustá-la, buscou as sombras da vegetação. Por entre os arbustos, observou o leito longo e plácido. Tomado por uma súbita falta de ar, viu um corpo mergulhando na transparência das águas. Diogo vibrou ao reconhecer os longos cabelos negros serpenteando sob as águas. Antes que ela emergisse, saiu do seu esconderijo, tomando posição para ser visto. Seus pés afundavam na margem rasa, como se criassem raízes. E, como num sonho, ela emergiu, os olhos fechados, a cabeleira longa deitando jorros d'agua e os lábios rosados lembrando as últimas carícias (...)


Alda Therkovsky, livro "A conquista do Éden" 2000 - Capítulo XVII, pags. 163 e 163.


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